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quinta-feira, 23 de julho de 2015

[Intercâmbio] Minhas aulas na universidade - Parte 2

Se você ainda não leu a primeira parte deste post, leia aqui.

Se você quiser ser dentista/médico/enfermeiro/farmacêutico lá no Canadá, você entra na faculdade/graduação (undergraduate) de Health Sciences (Ciências da Saúde) e estuda por 4 anos disciplinas de ciências da saúde (o que a gente chama de disciplinas básicas tipo Imunologia, Patologia, Anatomia, Fisiologia etc e é beeeeeeem "farta" a oferta, pois tem muita coisa pra 4 anos). Depois dos 4 anos de Health Sciences, você faz sua pós-graduação (graduate) em odonto/medicina/enfermagem/farmácia e é aí que você estuda as disciplinas específicas e faz o atendimento prático.



Numa universidade canadense, você monta sua grade de aulas (da mesma forma que aqui no Brasil) e as disciplinas são separadas por ano. Como para a área da saúde são 4 anos de graduação, as disciplinas são divididas em 4 diferentes grupos e o nível de dificuldade aumenta quando você vai chegando mais próximo da formatura. Por exemplo, uma disciplina do 1º ano é muito mais fácil do que uma do 2º ano, sendo que as disciplinas do 1º ano são mais fáceis e as do 4º são as mais difíceis. 



As aulas são no modelo lecture (aulas grandes, geralmente com 200 alunos) ou seminar (turmas menores que, geralmente, envolve muita participação oral). A depender do gosto do professor, como aqui no Brasil, as avaliações são por meio de provas e trabalhos (oral e/ou escrito), somente provas ou somente trabalhos. Eu mesma tive disciplina de todos os tipos: só prova, só trabalho e os dois.




E as finals (últimas provas do período) são um evento! Imagine que você está indo fazer um concurso ou Enem... É desse jeito. Existe um calendário para a universidade toda (todos os cursos, todas as disciplinas) e suas provas podem cair qualquer dia desse calendário de provas, inclusive num domingo à noite! Juro.

As notas são por grade de letras do A+ ao F e os períodos não são divididos por semestres, mas sim por 3 periodos de 4 meses por ano.



Os professores são um caso à parte. Grandes mestres! Incríveis! Monstros (no bom sentido!). Educados.  Preocupados com o alunado. Acessíveis! Eu mesma não tive uma experiência contrária a essa! Existe um horário disponibilizado (no office) para o aluno ir conversar com o professor: tirar duvida, ver/recorrigir prova etc.



A universidade funciona o tempo todo.  Não existe um calendário com a data das férias como existe aí no Brasil (o período que ela fica mais tempo fechada é no final/início de ano, porque envolve as festas natalinas e tal). A própria pessoa decide quando quer tirar suas férias e muitos estudantes escolhem o período do summer, pois aproveitam para trabalhar e juntar um dinheiro para pagar a universidade. Por falar em pagamento, as universidades são públicas, mas os estudantes precisam pagar uma anuidade (o que é ainda mais caro para estudantes internacionais) chamada tuition para ajudar com a manutenção da universidade no geral.




Qualquer dúvida que vocês tiverem e eu puder ajudar, estou por aqui. ;)

Beijinhos,

Tacy.

terça-feira, 21 de julho de 2015

[Intercâmbio] Minhas aulas na universidade - Parte 1

Oi, gente.

Quem acompanha o Radar sabe que eu fui para Toronto, através do CsF, para fazer intercâmbio. Meu intercâmbio foi de 16 meses (minhas aulas começaram em setembro de 2013 e terminaram em dezembro de 2014). O intercâmbio me permitiu ter experiência acadêmica em uma universidade canadense e isso foi incrível visto que o Canadá é conhecido como um país referência em educação e eu sempre quis estudar lá. Foi um sonho realizado. Estudei dois períodos na York University (Summer e Fall/Winter). As universidades canadenses funcionam assim: lá, o ano acadêmico começa, oficialmente, em setembro (fall) e não são dois semestres por ano (como no Brasil). Na verdade, são 3 períodos no ano: fall (setembro - dezembro), winter (janeiro - abril) e summer (maio - agosto). Não existem férias marcadas como no Brasil. Os estudantes são livres para decidirem quando querem ter suas férias, mas a maioria deles decidem por ter férias durante o verão (summer). 





Este post ficou muuuuuito grande, então o dividi em duas partes! ;)

Minha primeira experiência foi durante o summer (verão) e foi meio que "decepcionante". Vou explicar o porquê. Primeiro, porque tinham poucos alunos na faculdade (a maioria resolveu tirar férias) e, segundo, porque eu achava as universidades do Brasil (pelo menos eu tenho experiência com 2 universidades públicas federais) com o ensino mais rigoroso e mais puxado. Vocês me entendem? Lógico que isso não faz a universidade ruim e muito menos forma profissionais ruins, mas acho que é porque eu estava mais acostumada aos rigores e tradicionalismos do Brasil mesmo. Hehehehe. Entretanto, a qualidade do ensino não é baixa por isso. Alunos que querem aprender e passar, têm que correr muito atrás e estudar hard apesar de, no Canadá, os estudantes serem mais livres: alguns deles repetirem por falta (o que acontece no Brasil também) e a carga horária semanal de aulas ser muito baixa (pelo menos para nós intercambistas), de apenas 12/15 horas semanais. 



Minha segunda experiência foi durante o fall (outono) e foi aí que eu conheci como é uma universidade canadense de verdade. Gente, eu falei lá cima que esse é o período de inicio do calendário acadêmico né? E os canadenses levam isso muito a sério! No fall é completamente diferente do summer: tudo é mais difícil. Os professores são mais exigentes com os trabalhos (tem que ter um grau alto e tudo referenciado), as provas têm um nível muito mais difícil e a exigência de participação do aluno é muito maior. Ninguém é obrigado a ficar em sala de aula, mas existem minitestes e quizzes semanais, fóruns para participar e te garanto que é tudo mais hard. Se no verão a vida foi fácil, no outono a vida foi bem difícil viu?! Foi ralação! Mesmo com 12h semanais.



Isso me faz refletir que no Brasil estudamos como escravos, pois na maior parte do meu curso, por exemplo, eu estou INTEGRALMENTE em minha faculdade e preciso, ainda, dar contas dos estudos, trabalhos da universidade e afazeres de casa. Isso me fez pensar incansavelmente o porquê o Canadá ser o lugar referência, já que, no meu ver, seria tudo muito mais fácil. O que eu consegui compreender dessa situação toda foi que o resultado desse sucesso e referência vem da cultura da valorização do tudo. TODAS as áreas, no Canadá, são valorizadas e a ciência, especialmente, é de grande referência para o mundo. E sabe o que é isso? Investimento. Tecnologia e investimento no conhecimento, sem pena. Coisa que é dificil encontrarmos no Brasil, pois grandes pesquisas/laboratórios têm dificuldade de encontrar um patrocinador, sem falar na cultura de produção para publicação e não para desafios. But, nem tudo é ruim aqui no Brasil, pois mesmo "aos trancos e barrancos", a gente forma profissionais incríveis, muito bem capacitados e, em questão de área da saúde, já ouvi dizer que o Brasil forma profissionais com mais experiência prática do que lá fora na gringa


Outra diferença que percebi é a questão do plágio e propriedade intelectual. No Canadá, plágio é uma coisa muito séria. É crime e a pessoa pode ser expulsa da universidade (o que pode comprometer seu futuro acadêmico/científico, caso a pessoa siga pro mestrado, doutorado, pós-doc).  

No próximo post, eu conto outros detalhes sobre nota, modelo de aula/avaliação etc.

Beijinhos,

Tacy.
© Radar Mexeriqueiro
Maira Gall