segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

[Livros em Filmes] A hora da estrela

Como eu falei, em outros posts, quero fazer mais posts com resenhas ou mesmo indicações de livros. Me lembro bem que, ano passado, eu disse que faria resenhas de livros que já li, mas ainda não cumpri essa promessa né? AINDA. Porque um dia o marasmo passa e o meu já se foi. Hahahaha.

Quem já leu  A hora da estrela??? Clarice Lispector é, e foi, uma diva né? Para quem não sabe, Clarice tem uma história de vida bem sofrida. Não em termos de pobreza material e nem espiritual, mas em decepções mesmo. O marido a largou, ela não foi reconhecida por seu trabalho de escritora, seu reconhecimento só chegou após sua morte. Vida triste? Sim. Na verdade, Macabea é a própria Clarice. Me lembro que quem me contou isso foi meu professor de Português do cursinho pré-vestibular. E me lembro que chorei quando cheguei em casa, por causa da vida sofrida que Clarice teve. E ficava me perguntando como foi que ela conseguiu sobreviver?!!

O livro que eu li foi esse publicado pela Editora Rocco, tem 87 páginas, já li faz alguns aninhos e ele é da minha mãe. Minha mãe, que já lecionou português e é fascinada por esse mundo da gramática e literatura, ganhava muitos livros de editoras (a cara da riqueza), inclusive tem uma coleção dos clássicos de nossa literatura que eu pretendo resenhar aqui, já li vários. Hahaha.



A capa tem uma pequena ilustração da personagem principal.
A Hora da Estrela deve ser a obra mais famosa de Clarice Lispector e conta a história da datilógrafa Macabéa que migra de Alagoas, Nordeste Brasieliro, para o Rio de Janeiro, com valores e cultura diferentes, e tem sua história de vida narrada por um escritor fictício Rodrigo S. M. através de uma linguagem regionalista que não é característica da obra da autora. 
No rio, Macabéa vai morar com uma tia e sofre nas mãos dela. É pobre, vive na miséria e no subdesenvolvimento. Começa a namorar com Olímpico de Jesus que a troca pela sua colega de trabalho, porque não vê em Macabéa chance alguma de ascensão social de quaisquer tipos. Sentindo dores constantes, ela vai ao médico e descobre que tem tuberculose (na época em que se passa o livro era uma peste essa doença. Além de crônica era sinônimo de morte, pois não tinha os avanços e controle que possuímos nos dias de hoje), porém não conta a ninguém. A amiga Glória percebe a tristeza da amiga e a convence a procurar uma cartomante. Madame Carlota prevê um futuro feliz, que viria de um estrangeiro que ela conheceria assim que ela saísse daquela casa, homem louro com quem casaria. De certa forma, é o que acontece: ao sair da casa da cartomante, Macabéa é atropelada por uma Mercedes amarela guiada por um homem loiro e cai no asfalto onde morre.

 Na ironia do destino, Macabéa conhece o estrangeiro, o carro Mercedes, e teve um futuro feliz, a morte, para quem tinha uma vida tão sofrida quanto a dela, talvez a morte fosse mesmo a felicidade de sua vida. Macabéa é tão uma ninguém que Clarice explora isso com a narração da história, afinal Rodrigo só dá destaque para Macabéa perto da hora de sua morte, a hora da estrela. Ironica e diretamente, Clarice quis nos mostrar, com isso, que as pessoas só deixam de se tornar invisíveis e passa a ser percebida  a sua existência, quando ela já não existem mais. Isso pode ser observado no trecho em que a personagem é atropelada:  "ao ser atropelada, Macabéa descobre a sua essência: “Hoje, pensou ela, hoje é o primeiro dia de minha vida: nasci”. Há uma situação paradoxal: ela só nasce, ou seja, só chega a ter consciência de si mesma, na hora de sua morte. Por isso antes de morrer repete sem cessar:“Eu sou, eu sou, eu sou, eu sou”. ".  Com ela, morre, também, o narrador, identificado com a escrita do romance que se acaba.



Como a própria Clarice disse, o livro conta a história de uma inocência pisada, de uma miséria anônima. Miséria que só acaba com o chamado da morte. No fim, tudo começa e acaba com um sim. "Também é preciso coragem para morrer, silêncio para ouvir o grito da vida". Como eu disse, lá cima, ironia do destino ou não, Clarice só foi reconhecida após sua morte. Parecia até que ela previu ser Macabéa e, por isso, ela disse que as pessoas só deixam de ser invisíveis quando já não existem mais. Essa frase é a própria Clarice. 

Trecho do livro: "Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre"

Imagem: voluntários.institucea.org.br

Minha garganta dá alguns nós quando me lembro deste livro. É tão triste, sofrido. Estou aqui escrevendo , mas com os olhos rasos de água. Quem mais leu? O livro virou filme e conta com a atuação de grandes nomes do cinema, teatro e TV brasileiro: Fernanda Montenegro, Marcelia Cartaxo e José Dumont. O filme foi classificado no gênero de comédia dramática, dirigido por Suzana Amaral e lançado em 1985, 8 após o lançamento do livro (1977).


O filme foi tão maravilhoso que ganhou diversos prêmios: Festival de Berlim (Urso de Prata de Melhor Atriz - Marcélia CartaxoPrêmio OCIC, Prêmio C.I.C.A.E.), Festival de Havana (Grand Coral - Primeiro Prêmio) e Festival de Brasília (Melhor Filme, Melhor Diretor - Suzana Amaral, Melhor Ator - José DumontMelhor Atriz - Marcélia CartaxoMelhor Fotografia). Ele pode ser encontrado no youtube (Deus abençoes esse site. Rs.)



Quem já leu e assistiu? Ou quem só leu? Ou só assistiu? O que vocês acharam? Beijos e queijos

14 comentários

  1. Ai que maravilha. Já vi o filme e já li o livro. Apaixonantes os dois. Amei essa sua resenha. Você escreve muito bem e não esqueceu de nada. A reflexão no final de que a história de macabéa é a vida da própria Clarice foi bem profunda.. E parece mesmo viu? Amei a resenha. Faça mais! rsr Beijos

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    1. Ah.... Obrigada, linda!! Nunca me esqueci quando meu prof disse. Vou fazer mais resenhas sim. Beijos

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  2. Amei a resenhaaaa.. O filme é lindo e o livro, geralmente, é sempre melhor. Agora quero ler logo!!! Amei. Beijos

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  3. Que bom que gostou Tacy das minhas coisinhas e obrigada por ter passado aqui no meu cantinho. Se você quiser me linkar e me seguir me avise para que eu possa fazer o mesmo tá ? E obrigada por ter deixado o endereço de seu blog para que eu possa te visitar. Beijinhos e tenha um Bom Domingo. beijinhos

    lovereadmybooks.blogspot.com.br

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  4. Eu lembro que li esse livro ainda na adolescência e fiquei tão impressionada com a tristeza da personagem que nunca mais esqueci. Anos mais tarde procurei o filme e não me decepcionei com a obra, que guardou na essência o que clarice queria dizer. Parabéns pela resenha. Lindamente bem construída...

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  5. Eu tenho o livro aqui em casa, mas ainda não tive tempo ainda assim pra sentar e ler ele. Mas parece ser interessante vindo dos comentários aqui de cima, vou ver se tiro um tempo e o leio. :)

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  6. Silvana, obrigada vc pela gentileza e carinho. beijos

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  7. Elimar, obrigada obrigada obrigada. Seu "lindamente bem construída" me deixou lisonjeada. :)

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  8. Tainá, leia mesmo. Vc vai adorar. O comentário do Elimar foi adorável. Beijo

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  9. E se eu te dizer que não consegui gostar do livro? Você dizendo que é a própria Clarice me fez ver com outros olhos, porém a leitura de A hora da estrela não foi, nem de longe, uma das melhores que já fiz.
    Beijos,
    http://alanahomrich.blogspot.com.br/

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  10. Eu ainda não li este livro amiga, nem mesmo vi o filme, mas adorei seu post!! Parabéns.

    xoxo
    http://amigadaleitora.blogspot.com.br/

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  11. @Alana Homrich Sério?? Mas é assim mesmo.. nada e nem ninguém agrada todo mundo né? Beijos e obrigada pelo comentário sincero

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